O padrão que caracteriza a sobrecarga
Costuma seguir uma progressão bem reconhecível: no início, dor só no fim do treino, que passa com o repouso. Depois, dor durante o treino inteiro. Por fim, dor também nas atividades do dia a dia, como caminhar ou subir escada. Esse padrão progressivo é o que diferencia a lesão por sobrecarga de um trauma agudo, como uma entorse.
Fratura por estresse: o que é
É o acúmulo de microfraturas no osso, num ritmo mais rápido do que o corpo consegue reparar. No corredor, os locais mais frequentes são o metatarso, o calcâneo, o navicular e a tíbia.
- Aumento rápido de volume ou intensidade de treino
- Troca de superfície ou tênis gasto, sem o amortecimento original
- Baixa densidade óssea
- Alimentação inadequada para a demanda do treino, incluindo déficit calórico prolongado
- Alterações do ciclo menstrual em atletas mulheres, associadas à disponibilidade energética baixa
- Histórico de fratura por estresse anterior
Sinais de alerta
- Dor localizada num ponto fixo, que piora ao apertar exatamente ali
- Dor que passou a incomodar também caminhando, não só correndo
- Inchaço leve e localizado sobre o ponto doloroso
- Dor noturna — incomum nas lesões puramente musculares
A fratura por estresse do navicular e a do quinto metatarso (base) têm risco maior de não consolidar se o treino continuar apesar da dor. Ao notar o padrão acima nessas regiões, pare o impacto e procure avaliação — não espere “passar sozinho”.
Diagnóstico
O raio-x pode não mostrar a fratura por estresse nas primeiras semanas, porque a alteração óssea ainda é sutil. A ressonância magnética é mais sensível e costuma confirmar o diagnóstico bem mais cedo, o que muda a conduta.
Tratamento e retorno ao treino
- Repouso relativo da carga de impacto — não necessariamente parar tudo: manter o condicionamento com atividades sem impacto, como bicicleta ou natação, costuma ser possível e é orientado conforme o local da lesão
- Progressão gradual guiada por critérios de dor e função, não apenas pelo calendário
- Correção dos fatores de risco identificados: volume de treino, calçado, alimentação, densidade óssea quando indicado investigar
- Acompanhamento até a consolidação confirmada antes de retomar o impacto total
Sobre a “regra dos 10%”
A orientação popular de não aumentar a carga semanal de treino em mais de 10% é um guia útil, não uma garantia contra lesão. Ela ajuda a evitar saltos bruscos de volume, mas o corpo de cada corredor tolera cargas diferentes — o que vale mais é observar os sinais de sobrecarga descritos acima.