Duas situações diferentes
Tendinopatia é o processo de degeneração e sobrecarga do tendão, que provoca dor e rigidez — em geral com início gradual. Ruptura é a perda da continuidade do tendão, habitualmente súbita, durante um movimento explosivo.
São problemas distintos, com tratamentos distintos. O que os conecta é que a tendinopatia mal cuidada aumenta a vulnerabilidade do tendão.
Tendinopatia: como se manifesta
- Dor e rigidez atrás do calcanhar, piores ao acordar e ao iniciar a atividade
- Dor que “aquece” e melhora no meio do treino, retornando depois
- Espessamento palpável do tendão
- Dor ao subir escadas, correr ou ficar na ponta dos pés
- Sensibilidade ao toque na região
O tratamento tem um pilar bem estabelecido: exercício progressivo de carga, conduzido com critério. Repouso absoluto costuma piorar o quadro a médio prazo. Entram também ajuste de treino, calçado adequado e, em casos selecionados, terapias complementares.
Infiltração de corticoide dentro do tendão de Aquiles não é conduta de rotina — há risco de enfraquecimento e ruptura. Qualquer procedimento deve ser discutido com o ortopedista.
Ruptura: reconhecer o quadro clássico
A descrição é quase sempre a mesma: durante uma arrancada, um salto ou uma partida de futebol ou tênis, a pessoa sente um estalo e a impressão nítida de ter levado uma pancada ou uma “pedrada” atrás do tornozelo — chegando a olhar para trás procurando quem bateu. Em seguida, não consegue ficar na ponta do pé.
- Estalo audível no momento do trauma
- Dificuldade ou impossibilidade de ficar na ponta do pé
- Falha palpável no trajeto do tendão
- Inchaço e equimose (roxo) na região
- Marcha alterada, com perda de impulso
Procure atendimento no mesmo dia. O diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).
Tratamento da ruptura
Existem duas estratégias — tratamento conservador com imobilização em protocolo funcional e tratamento cirúrgico. A escolha considera idade, nível de atividade, tempo desde a lesão, características da ruptura e as expectativas de retorno do paciente.
Não existe uma resposta única que sirva a todos. Na consulta, apresento as alternativas aplicáveis ao seu caso, com vantagens e riscos de cada uma, para que a decisão seja tomada em conjunto.